Bastidores de Brasília: Senado, STF e o futuro de Alcolumbre em pauta
Os cenários para o dia seguinte ao segundo turno, marcado para domingo (25), já movimentam os bastidores de Brasília.

Os cenários para o dia seguinte ao segundo turno, marcado para domingo (25), já movimentam os bastidores de Brasília. Nos corredores do poder, três peças do tabuleiro institucional concentram as articulações: a presidência do Senado, a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) e o futuro político de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Segundo a Folha Agora, parte dos ministros do STF vê a reeleição de Alcolumbre ao comando da mesa do Senado como um caminho para abrandar conflitos entre a Corte e a Casa nos próximos dois anos. A avaliação circula independentemente de o PL ter emergido como a maior bancada do Senado. A disputa pela mesa diretora será definida em fevereiro, e a aposta de ministros e assessores é pragmática: ter um presidente do Senado com perfil conhecido facilita acordos e evita rupturas que poderiam tornar mais tensa a interação entre os Poderes.
No radar do Supremo, o elemento decisivo não seria apenas a força parlamentar de cada partido, mas a capacidade do ocupante da vaga de negociar e conter iniciativas de confronto — inclusive movimentos por afastamento de magistrados, segundo interlocutores ouvidos pelo veículo. Nas tratativas que correm em Brasília, integrantes da Corte admitem colocar na mesa, com o vencedor da eleição presidencial, temas delicados que possam reduzir incentivos a provocações. Entre esses pontos, fontes citam investigações que envolvem aliados de candidatos como possível objeto de barganha para frear esforços por impeachment de ministros.
A recondução de Alcolumbre, porém, enfrenta obstáculos. Segundo a coluna de Andreza Matais, no Metrópoles, a federação PP-União Brasil decidiu retirar o apoio ao senador na disputa pela presidência do Congresso. Alcolumbre tenta viabilizar a reeleição oferecendo a senadores novatos gabinetes em espaços privilegiados e a presidência de comissões, e tem como alternativa concorrer de forma avulsa, sem o respaldo partidário. Circulam nas articulações para o comando do Senado os nomes de Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, e de Tereza Cristina (PP-MS).
Ainda segundo a coluna, ministros do STF foram alertados de que, se avançarem contra o Congresso — por exemplo, condenando o uso de emendas parlamentares —, a Casa pode eleger um presidente radical de direita, em vez de um nome de centro ou de direita moderada.
Outra hipótese passou a circular nas conversas políticas, segundo o Caderno Mercado: uma eventual ida de Alcolumbre para o Tribunal de Contas da União (TCU), e a indicação do ex-senador Rodrigo Pacheco, hoje ministro do TCU, para a vaga aberta no STF. A avaliação de interlocutores é que Alcolumbre enfrentaria um cenário mais difícil para permanecer no comando do Senado, especialmente em caso de vitória de Flávio Bolsonaro — mas o cenário não é simples nem mesmo se Lula for reeleito, diante da forte presença de parlamentares de direita na composição da Casa.
A vaga no Supremo está aberta desde a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025. A indicação de Lula, o advogado-geral da União Jorge Messias, foi rejeitada pelo Senado em abril — a primeira rejeição do tipo em mais de um século. Alcolumbre mantém relação de proximidade com ministros do Supremo e não é visto por seus interlocutores como alguém disposto a dar andamento a pautas de impeachment de integrantes da Corte.
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