Condenada a 260 anos, líder de facção desembarca em Cuiabá sob escolta
Após prisão na Bolívia e cirurgias no rosto, Angélica Saraiva de Sá, a Angeliquinha, chega a Cuiabá sob escolta da GCCO e vai para o RDD.

Apontada pelos órgãos de inteligência e segurança pública como uma das principais lideranças com poder de mando em uma facção criminosa em Mato Grosso, Angélica Saraiva de Sá, de 36 anos, conhecida pela alcunha de “Angeliquinha”, desembarcou em Cuiabá na tarde desta terça-feira (20). A detenta foi escoltada diretamente para a sede da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), na capital mato-grossense, segundo informações da Polícia Civil e apuração divulgada pelo MidiaNews.
Assista: Chegada de Angélica Saraiva de Sá à sede da GCCO em Cuiabá sob escolta · Vídeo: Polícia Civil de MT / Edição: O Dia Político
O recambiamento interestadual foi concretizado após semanas de trâmites de extradição na fronteira. Ao chegar às dependências policiais em Cuiabá trajando uniforme de custódia e algemada, Angeliquinha manteve silêncio absoluto diante da presença de repórteres e cinegrafistas, sem responder a questionamentos sobre o período em que permaneceu foragida no exterior.
Fuga de presídio, plásticas no rosto e captura na Bolívia
Angeliquinha estava na lista de procurados da Justiça desde agosto de 2025, data em que empreendeu fuga da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, no complexo prisional de Cuiabá. De acordo com o delegado responsável pelas apurações, a foragida buscou refúgio na cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde adotou rotina de alta discrição.
Para driblar os alertas internacionais da Interpol e dificultar o reconhecimento facial por agentes de segurança, ela portava documentação civil brasileira falsificada e submeteu-se a pelo menos cinco intervenções cirúrgicas estéticas na face. A localização exata do seu paradeiro decorreu de cooperação entre a GCCO, a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a Gerência Estadual de Polinter (Gepol) e autoridades policiais bolivianas, culminando em sua prisão no dia 22 de setembro de 2026.
Após a entrega formal à Polícia Federal brasileira no posto de controle migratório em Corumbá (MS), a mulher aguardou a conclusão dos laudos periciais e autorizações judiciais nas celas do Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano antes do translado final a Mato Grosso.
Mais de 260 anos de penas e isolamento no RDD
Os registros judiciais indicam que Angeliquinha acumula mais de 260 anos em condenações penais transitadas em julgado ou com acórdãos confirmados, abrangendo crimes de homicídio qualificado, tráfico de entorpecentes, associação para o tráfico, extorsão e organização criminosa. Apenas durante o ano de 2026, magistrados mato-grossenses expediram seis novos mandados de prisão preventiva contra ela.
Conforme o inquérito policial, a criminosa exercia influência direta sobre a rota de distribuição de entorpecentes na região norte de Mato Grosso, sobretudo nos municípios de Alta Floresta e Guarantã do Norte, além de comandar esquemas de extorsão e cobrança de pedágios ilícitos em garimpos locais.
Com o retorno a Cuiabá formalizado, a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) autorizou a recondução imediata da apenada à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May. Em razão da periculosidade comprovada e do risco de nova evasão, a administração penitenciária determinou a inclusão de Angeliquinha no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), submetendo-a a rigoroso isolamento celular e restrições severas de visitas e comunicações.
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Fontes: Polícia Civil de Mato Grosso (GCCO / Draco / Polinter) · Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) · Apuração MidiaNews











