Por que a parcial da apuração virou no 1º turno
Às 17h58 do dia 4 de outubro, com 14% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro tinha 51,2% dos votos válidos. Às 18h48, com 53% das urnas, ele já estava abaixo dos 50%.

Às 17h58 do dia 4 de outubro, com 14% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro tinha 51,2% dos votos válidos. Às 18h48, com 53% das urnas, ele já estava abaixo dos 50%. Terminou o primeiro turno com 47,03%.
Nenhum voto mudou de lado. A explicação está na ordem de chegada dos boletins de urna ao Tribunal Superior Eleitoral, segundo uma análise feita a partir dos dados oficiais do tribunal: as urnas do Sul e do Centro-Oeste chegaram primeiro, e as do Nordeste por último. Uma parcial não é um sorteio de urnas: é quem chegou antes — e quem chegou antes votava diferente da média nacional.
É o que a estatística chama de amostra enviesada. A análise sorteou a ordem das quase 500 mil seções e refez a conta: com 500 urnas sorteadas, o resultado já mostrava 47,5% para Flávio, perto do resultado final, e com 1.000 urnas sorteadas o erro caía para 0,9 ponto. O que importa não é só o tamanho da amostra, é ela ser sorteada — o mesmo princípio que faz uma pesquisa funcionar com poucas pessoas.
O resultado final do primeiro turno, com 100% das seções apuradas, foi Flávio com 47,03% dos votos válidos, 56.104.503 votos, e Lula com 45,16%, 53.879.538 votos. Lula, que tinha 42,50% nas primeiras urnas, subiu de forma constante até fechar com 45,16%.
No segundo turno, a parcial também virou. Lula começou à frente, com 58,59% dos votos válidos nas primeiras urnas. Flávio ultrapassou quando cerca de 13% das urnas haviam sido apuradas e liderou até perto da metade da contagem. A partir daí, Lula retomou a dianteira e ampliou a vantagem até o fim, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio.





