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Eleições 2026

Próximo presidente vai indicar pelo menos 4 ministros do STF

Quem vencer o segundo turno neste domingo assume a Presidência em janeiro de 2027 com o poder de redesenhar o Supremo Tribunal Federal.

Prédio do Supremo Tribunal Federal, em Brasília
Foto: Alex Pereira

Quem vencer o segundo turno neste domingo assume a Presidência em janeiro de 2027 com o poder de redesenhar o Supremo Tribunal Federal. Ao longo do mandato, o próximo presidente poderá indicar pelo menos quatro dos 11 ministros da Corte — mais de um terço do tribunal que dá a última palavra sobre a Constituição.

A conta tem quatro vagas. A primeira já está aberta: a cadeira de Luís Roberto Barroso, que se aposentou antecipadamente em outubro de 2025. O nome indicado para ela, o advogado-geral da União Jorge Messias, foi rejeitado pelo Senado em 29 de abril de 2026, por 42 votos a 34 — a primeira rejeição de uma indicação ao STF em 132 anos. Se a cadeira seguir vaga na posse, ela será a primeira indicação do próximo presidente.

Gráfico: as quatro vagas do STF no mandato 2027-2030
As quatro vagas do próximo mandato e a seguinte, fora dele. Elaboração: O Dia Político.

As outras três vagas vêm da regra da aposentadoria compulsória aos 75 anos. Luiz Fux completa 75 anos em abril de 2028, Cármen Lúcia em abril de 2029 e Gilmar Mendes em 30 de dezembro de 2030 — as três datas caem dentro do mandato que começa em 2027.

O peso dessas escolhas vai além dos quatro anos de governo. Ministro do STF não tem mandato: fica no cargo até os 75 anos. Um nome indicado em 2028, com pouco mais de 50 anos, pode ocupar a cadeira por mais de duas décadas — o que significa que a eleição de hoje ajuda a definir a cara do Supremo até a década de 2050.

Nenhuma indicação, porém, é automática. Cada nome escolhido pelo presidente precisa passar por sabatina e pela aprovação da maioria absoluta do Senado — 41 dos 81 senadores. O caso Messias mostrou que o Senado pode barrar um indicado, e será o novo Senado, eleito em 4 de outubro e empossado em 2027, quem votará os nomes do próximo mandato.

A aritmética vale para qualquer um dos dois vencedores. Se Lula for reeleito, ele somará as novas indicações às de Cristiano Zanin e Flávio Dino, já nomeados por ele neste mandato — além de Dias Toffoli e Cármen Lúcia, de governos anteriores. Se Flávio Bolsonaro vencer, seis dos 11 ministros terão sido nomeados por presidentes da família Bolsonaro: os dois indicados por Jair Bolsonaro, Kassio Nunes Marques e André Mendonça, mais os quatro novos. Depois de empossados, porém, os ministros têm independência para decidir e não estão obrigados a acompanhar as posições de quem os indicou.

Há dois detalhes no calendário. A vaga de Gilmar Mendes só abre em 30 de dezembro de 2030, no fim do mandato — a indicação pode ficar para o governo seguinte, a depender do trâmite. E, depois de 2030, a próxima aposentadoria compulsória só acontece em fevereiro de 2033, com Edson Fachin, e a seguinte apenas em 2042. Ou seja: a janela de renovação do Supremo está concentrada exatamente no próximo mandato — e é por isso que a disputa de hoje vale também pelo tribunal das próximas décadas.

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