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Preso pela PF, Márcio Canella, 2º mais votado para a Alerj, vê mandato sob incerteza

PF o aponta como elo político de rede suspeita de lavar dinheiro em postos de combustíveis

Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro.
Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro. Foto: Jorge Colares/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

RIO DE JANEIRO · OPERAÇÃO UNHA E CARNE

Eleito com 197.178 votos em 4 de outubro, Márcio Canella (União Brasil) passou a noite de quinta-feira (15) sob custódia da Polícia Federal. O ex-prefeito de Belford Roxo foi um dos alvos da oitava fase da Operação Unha e Carne, e a prisão preventiva, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, foi confirmada na sexta (16) após audiência de custódia, segundo a Folha de S.Paulo.

De acordo com o Supremo Tribunal Federal, a ordem foi dada no Inquérito 5020, que investiga facções violentas no Rio e suas ligações com agentes públicos, e atendeu em parte a pedidos da PF, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. Também foram presos o delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil e ex-presidente do Detran-RJ, e outros quatro investigados.

A suspeita

Para a PF, o grupo usava uma rede de postos de combustíveis para esconder bens e girar dinheiro ilícito. O Coaf mapeou R$ 7,6 bilhões em transações entre 2020 e 2026 nas pessoas e empresas analisadas, cifra que não equivale a lavagem comprovada, ressalvou o g1. Os investigadores atribuem a Canella o papel de ponte entre empresários e o poder público, inclusive na ocupação de cargos.

Anotações apreendidas registrariam pagamentos a ele, sob os apelidos “Canela” e “Amigo”, de R$ 51 mil, R$ 31 mil e R$ 57 mil, segundo o g1. A PF também aponta cerca de R$ 2,59 milhões depositados nas contas do político num intervalo de 12 meses encerrado em abril de 2026, e sustenta que ele patrocinou a ida de Amim ao Detran e depois à Polícia Civil. Os crimes apurados incluem organização criminosa armada, lavagem, corrupção e cartel.

A Folha informou que foram apreendidos 20 carros de luxo, 33 armas e cerca de R$ 90 mil em espécie. Moraes bloqueou até R$ 700 milhões e suspendeu 112 empresas, 96 delas postos.

As defesas

“Confio em Deus e na Justiça e tenho certeza de que tudo será esclarecido”, declarou Canella por meio dos advogados. A defesa de Amim disse que só falará depois de ver os autos.

E a cadeira?

Canella ainda enfrenta recurso do Ministério Público Eleitoral no TSE contra o registro, liberado pelo TRE-RJ cinco dias antes do pleito, lembrou o Diário do Rio. A preventiva não cassa direitos políticos nem barra a diplomação. Se o TSE impedir a posse sem anular os votos, a vaga deve ficar com a federação União Progressista, cujo primeiro suplente é o vereador Felipe Michel (PP).

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Fonte: Supremo Tribunal Federal · Folha de S.Paulo · g1 · Diário do Rio

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