segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · Mato GrossoEntrarAssinar
Eleições 2026

Do 1º turno ao pós-debate: pesquisas, contas e processos de Flávio e Lula no TSE

Cruzamento dos dados oficiais do TSE mostra evolução dos votos válidos de 4 de outubro às pesquisas de 19 de outubro, raio-x financeiro de R$ 197 milhões, ações judiciais e checagem de fatos.

Gráfico comparativo entre o resultado oficial do 1º turno no TSE e as pesquisas do 2º turno pós-debate
Evolução do 1º turno oficial no TSE às pesquisas do 2º turno pós-debate (Arte: O Dia Político)

O cruzamento dos dados oficiais de apuração, patrimônio e prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com os levantamentos registrados para o segundo turno revela como a vantagem aberta por Flávio Bolsonaro (PL · 22) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT · 13) em 4 de outubro se comporta na semana decisiva antes da votação de 25 de outubro. Enquanto as curvas de intenção de voto disputam os 9,31 milhões de eleitores da terceira via e os 33,47 milhões de ausentes do primeiro turno, a disputa no plenário do TSE e no Supremo Tribunal Federal (STF) registra alta superior a 200% no volume de ações judiciais.

As fichas completas de bens declarados, doadores, despesas contratadas e apuração por município estão disponíveis para consulta direta nas páginas especiais de Candidatos do 2º Turno e no Placar das Eleições.

1. Da urna do 1º turno às pesquisas pós-debate na Band

Na totalização oficial do primeiro turno em 4 de outubro de 2026 (confira os números por estado e município no Placar), o Brasil registrou 158.745.502 eleitores aptos, comparecimento de 125.275.835 (78,92%) e abstenção de 33.469.244 (21,08%). Dos 119.300.788 votos válidos (excluídos 2.300.798 votos brancos e 3.674.249 nulos), Flávio Bolsonaro terminou na liderança com 56.104.503 votos (47,03%), contra 53.879.538 votos (45,16%) de Lula — uma diferença exata de 2.224.965 votos (1,87 ponto percentual).

Os outros dez candidatos somaram 9.316.747 votos (7,81% dos válidos) no primeiro turno: Augusto Cury (Avante) ficou em 3º lugar com 3.448.569 votos (2,89%), seguido por Renan Santos (Missão) com 2.675.887 (2,24%), Ronaldo Caiado (PSD) com 2.605.148 (2,18%), Romeu Zema (Novo) com 326.488 (0,27%) e os demais concorrentes com 260.655 votos (0,22%).

Gráfico da evolução do 1º turno no TSE às pesquisas do 2º turno pós-debate
Evolução dos votos válidos entre o resultado oficial do 1º turno no TSE (04/10) e as pesquisas registradas antes e depois do debate na Band (Arte: O Dia Político)

A migração majoritária dos eleitores de Caiado, Zema e Renan Santos explica por que Flávio Bolsonaro superou a linha de 50% dos votos válidos nos levantamentos de segundo turno (veja a série de sábado e o balanço pós-debate de segunda-feira), enquanto Lula reduziu a distância em institutos com maior peso de indecisos:

Referência / Instituto Data / Registro TSE Flávio Bolsonaro (PL) Lula (PT) Diferença (Válidos) Margem / Situação
Urna — 1º Turno (TSE) 04/10/2026 (Oficial) 47,03% (56,10 mi) 45,16% (53,88 mi) +1,87 p.p. (+2,22 mi) Resultado oficial consolidado
Datafolha 17/10/2026 (BR-09709/2026) 51,1% (47% totais) 48,9% (45% totais) +2,2 p.p. ±2,0 p.p. · 93% decididos
Ipespe / Veritá 17/10/2026 (Pré-debate) 51,0% 49,0% +2,0 p.p. Empate técnico no limite
PoderData / Aya 19/10/2026 (Pós-debate) 52,0% 48,0% +4,0 p.p. ±1,8 p.p. (3.000 entrevistas)
AtlasIntel / Bloomberg 19/10/2026 (BR-03663/2026) 51,1% (49,8% totais) 48,9% (47,6% totais) +2,2 p.p. ±1,0 p.p.
Futura / 100% Cidades 19/10/2026 (BR-06715/2026) 50,4% 49,6% +0,8 p.p. ±2,2 p.p. (Empate técnico)
Nexus / BTG Pactual 19/10/2026 (BR-04499/2026) 50,3% (46,5% totais) 49,7% (45,9% totais) +0,6 p.p. ±2,0 p.p. (Empate técnico)

2. Mapa regional do 1º turno: a força dos palanques no Paraná e em Mato Grosso

Os dados abertos do TSE demonstram que a vantagem nacional de Flávio Bolsonaro no primeiro turno foi sustentada por vitórias expressivas no Sul, Centro-Oeste e interior do Sudeste, ancoradas por governadores eleitos em primeiro turno que participam ativamente de sua campanha presidencial.

Gráfico do resultado oficial do 1º turno no TSE no Brasil, Paraná e Mato Grosso
Desempenho oficial no 1º turno (TSE) no Brasil, no Paraná (onde Sergio Moro foi eleito governador no 1º turno pelo PL) e em Mato Grosso (onde Otaviano Pivetta venceu no 1º turno) (Arte: O Dia Político)
  • Paraná (Domicílio eleitoral de Sergio Moro, eleito governador no 1º turno pelo PL): Segundo os registros oficiais do TSE, o senador Sergio Moro (PL · 22, registro SQ 160002540833) — filiado ao PL segundo as normativas da Justiça Eleitoral e com domicílio eleitoral em Curitiba — foi eleito governador do Paraná já no primeiro turno com 3.127.911 votos (50,11% dos válidos), superando Sandro Alex (PSD, 1.583.764 votos / 25,37%) e Requião Filho (PDT, 1.465.601 votos / 23,48%). Para o Senado no estado, venceram Filipe Barros (PL, 3.148.583 votos) e Deltan Dallagnol (Novo, 2.904.594 votos). Na disputa presidencial no Paraná, Flávio Bolsonaro obteve 3.945.345 votos (59,91%) contra 2.054.597 (31,20%) de Lula. Moro esteve na primeira fila de convidados do debate da Band apoiando Flávio Bolsonaro.
  • Mato Grosso (Meta de 75% na Casa 22 contra busca por 585 mil ausentes): Na apuração oficial do TSE em Mato Grosso, Flávio Bolsonaro somou 1.298.581 votos (65,15% dos válidos) contra 581.681 votos (29,18%) de Lula, enquanto 585.668 eleitores (22,20%) não compareceram às urnas. Eleito governador em primeiro turno com 1.128.099 votos (60,77%), Otaviano Pivetta (Republicanos) inaugurou o comitê Casa 22 em Cuiabá fixando a meta de elevar a votação de Flávio para 75% no estado, enquanto o PT direciona sua mobilização aos eleitores que se abstiveram em 4 de outubro. Para o Senado em MT, elegeram-se Mauro Mendes (União, 1.187.352 votos / 33,21%) e Zé Medeiros (PL, 977.777 votos / 27,35%).

3. Raio-X do DivulgaCandContas: patrimônio, financiamento e gastos

Os relatórios financeiros extraídos do sistema DivulgaCandContas do TSE (atualizados em 16 de outubro de 2026 e detalhados item a item na página Candidatos do 2º Turno) mostram que as duas campanhas presidenciais já arrecadaram juntas R$ 197,29 milhões, respeitando o teto legal de R$ 133.416.046,20 por chapa para a soma dos dois turnos, mas com perfis de arrecadação e execução opostos:

Gráfico comparativo do DivulgaCandContas do TSE com receitas, despesas, patrimônio e gastos jurídicos de Flávio Bolsonaro e Lula
Comparativo oficial do sistema DivulgaCandContas (TSE) entre as chapas de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) até 16/10/2026 (Arte: O Dia Político)
  • Flávio Bolsonaro (PL · SQ 280002551544, vice Alfredo Gaspar · PL):
    • Patrimônio declarado: R$ 8.186.555,83 distribuídos em 9 itens, puxados por um imóvel residencial no Lago Sul, em Brasília, avaliado em R$ 6.226.043,80 (motivo de embate direto no debate da Band), além de R$ 1.090.520,47 em fundo multimercado e R$ 568.730,23 em contas correntes. O vice Alfredo Gaspar declarou R$ 564.666,16.
    • Receitas (R$ 88.952.028,52 em 491 lançamentos): R$ 67,70 milhões provêm de recursos partidários e R$ 20.698.604,24 (23,3% do total) de doações de pessoas físicas — valor onze vezes superior ao do adversário e impulsionado por doadores do agronegócio, como os R$ 2,5 milhões transferidos por empresários de Rondonópolis e Colíder (MT).
    • Despesas contratadas (R$ 74.537.579,40): Forte concentração em impulsionamento de conteúdo digital (R$ 9.200.000,00), serviços de terceiros (R$ 45,57 milhões), transporte e deslocamento aéreo (R$ 5,39 milhões), adesivos (R$ 4,06 milhões) e serviços advocatícios (R$ 3.905.000,00). Declarou 53 perfis e domínios digitais ao TSE.
  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT · SQ 280002542548, vice Geraldo Alckmin · PSB):
    • Patrimônio declarado: R$ 4.775.650,64 em 18 itens, concentrados em aplicações de previdência privada VGBL no Brasilprev (R$ 1.923.927,36) e no Bradesco (R$ 1.380.000,00), além de terrenos, construções e frações de imóveis em São Bernardo do Campo (SP).
    • Receitas (R$ 108.338.992,90 em 622 lançamentos): 97,2% dos recursos (R$ 105.341.801,48) têm origem em repasses de partidos políticos da coligação (PT/PCdoB/PV, PSB, PDT e PSOL/Rede), somados a R$ 1.892.746,94 de pessoas físicas e R$ 1.101.822,75 de financiamento coletivo.
    • Despesas contratadas (R$ 65.679.887,48): Prioridade para serviços de terceiros (R$ 40,78 milhões), eventos presenciais de promoção da candidatura (R$ 6.226.748,22) — refletidos nos atos de domingo em capitais e cidades do interior —, serviços advocatícios (R$ 4.028.600,00) e impulsionamento digital (R$ 2.690.000,00). Declarou 49 canais e sites ao TSE.

4. Processos, documentos oficiais e ações de cada candidato no TSE e no STF

Com R$ 7,93 milhões gastos somados em bancas de advogados, as duas coligações protagonizam uma guerra jurídica diária no TSE, no STF e nas cortes regionais:

  1. Representações e direitos de resposta no TSE: A campanha de Flávio Bolsonaro acionou o TSE para tentar suspender perfis de lideranças estudantis e sindicais que atuam contra sua candidatura, mas o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva negou o pedido de banimento de 54 dirigentes, preservando a liberdade de manifestação política. Na frente oposta, a coligação de Lula obteve liminares no TSE para remover postagens de apoiadores adversários que vinculavam o presidente a facções criminosas ou que atribuíam diretamente a ele desvios do INSS sem conclusão de inquérito. O tribunal também intimou a plataforma Meta a comprovar isonomia algorítmica no alcance das duas campanhas.
  2. Inquéritos no STF, relatórios da PF e o caso Roberta Luchsinger / Lulinha: O embate televisionado na Band acelerou a disputa documental em torno da Operação Sem Desconto:
    • Relatório da Polícia Federal (25/06/2025) e conexões em Lisboa e Madri: Conforme detalhado na reportagem sobre o pedido de escolta da Polícia Federal para Roberta Luchsinger, peritos da PF documentaram mensagens sobre pacotes em espécie e repasse de R$ 50 mil à agência Vulcano Viagens para emissão de passagens em nome de Roberta e de Fábio Luís Lula da Silva, além de viagens coincidentes com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes (o “Careca do INSS”).
    • Registros no BORME de Madri (Synapta S.L.): Documentos oficiais do Registro Mercantil espanhol (leia a apuração completa sobre a rotina em La Moraleja) comprovam a abertura da empresa Synapta S.L. por Fábio Luís em janeiro de 2026 com capital de 3 mil euros, transferida da Calle Agustín de Foxá para o 9º andar do Paseo de la Castellana 130, enquanto o empresário reside no complexo fechado El Jardín de La Moraleja (aluguel estimado em 5.800 euros mensais).
    • Pedidos formais no Senado, STF e PGR: Após Roberta relatar ameaças e cogitar delação premiada (tema da ilustração editorial do dia), o senador e governador eleito do Paraná Sergio Moro (PL-PR) protocolou requerimento de escolta da Polícia Federal na Comissão de Segurança Pública do Senado, enquanto deputados do PL e do Novo acionaram o ministro André Mendonça no STF (pedindo inclusão no programa PROVITA) e a PGR. Paralelamente, o ministro Flávio Dino assumiu no STF a relatoria de pedido da PF referente a um terceiro inquérito envolvendo Fábio Luís.
  3. Ações eleitorais conexas em Mato Grosso (TRE-MT): No plano regional, o desembargador Marcos Machado (TRE-MT) marcou para 4 de novembro a oitiva do locutor Cuiabano Lima na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida por Pedro Taques contra Mauro Mendes e Virginia Mendes sobre o show na Arena Pantanal, e o plenário do TRE-MT manteve multa de R$ 42,7 mil por doação acima do teto legal em Canarana.

5. Auditoria e checagem: o que é falso ou distorcido na reta final

A verificação cruzada dos documentos oficiais do TSE, da Polícia Federal, do IBGE e dos tribunais descarta quatro boatos e distorções que circularam durante e após o debate da Band:

Alegação / Boato em Circulação Classificação Fato Verificado em Documentos Oficiais
“Lulinha foi preso pela polícia na Europa / em Madri” FALSO Montagens que circularam nas redes sociais são falsas. Não há mandado de prisão contra Fábio Luís Lula da Silva; ele reside no condomínio El Jardín de La Moraleja, em Alcobendas (Madri), e não comparece a cafés de rua porque circula por garagem subterrânea privativa (confira os documentos).
“Governo gastou R$ 7 bilhões em viagens com a primeira-dama” FALSO Valor citado por Flávio Bolsonaro no debate da Band não existe nos registros do Portal da Transparência nem nas prestações de contas da Presidência da República; as despesas totais de viagens oficiais federais (incluindo segurança e escalões técnicos) representam fração ínfima desse montante.
“Depois de 2010, o PIB do Brasil só voltou a crescer acima de 3% em 2023” FALSO / INCORRETO Afirmação feita por Lula no debate contraria a série histórica oficial das Contas Nacionais do IBGE: o PIB brasileiro cresceu 4,0% em 2011 e avançou 4,8% em 2021.
“Locais de votação não mudaram para o 2º turno e quem não tem biometria não vota” FALSO O TSE alterou o endereço de 4.352 seções eleitorais no país para 25 de outubro (incluindo a Escola Estadual 29 de Julho, em Confresa-MT, destelhada por temporal). Já os 10,99% de eleitores sem biometria votam normalmente apresentando documento oficial com foto.

Consulte no O Dia Político: Fichas completas dos candidatos (bens, contas e redes) · Placar do 1º e do 2º turno por estado e município · Resumo e cortes em vídeo do debate na Band · Agenda do último debate na sexta-feira (23/10)

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (DivulgaCandContas, PesqEle e Dados Abertos do 1º Turno), Polícia Federal, Boletín Oficial del Registro Mercantil (Madri), IBGE e Agência Brasil.

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