Em Uganda, sete mandatos depois, o relógio continua marcando 1986

Uganda votou em 15 de janeiro de 2026 e o resultado parecia déjà-vu com carimbo oficial: Yoweri Museveni, no poder desde 1986, foi declarado vencedor com 71,65% dos votos e garantiu o sétimo mandato — mais cinco anos para um governo que já dura quatro décadas. O principal adversário, o cantor que virou político Bobi Wine, ficou com 24,72%. A disputa, aliás, tinha trilha sonora própria: de um lado, o presidente de 81 anos; do outro, o popstar da oposição. A urna virou palco, e o palco continuou com o mesmo dono. O detalhe que a festa não contou: só cerca de 52,5% dos eleitores registrados votaram. Mais de 10 milhões de ugandenses ficaram em casa — um eleitorado ausente maior do que os votos dos dois primeiros colocados somados. Moral ugandense: quando o relógio da presidência marca 1986 há 40 anos, a pergunta já não é quem ganha a eleição — é quem ainda aparece para votar nela.





