Moody's mantém nota do Brasil após reeleição e alerta para dívida
A agência de classificação de risco Moody's manteve a nota de crédito do Brasil em Ba1 após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas alertou que a dívida pública pode chegar a 88% do Produto Interno Bruto em 2029 se o ajuste fiscal não avançar.

A agência de classificação de risco Moody's manteve a nota de crédito do Brasil em Ba1 após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas alertou que a dívida pública pode chegar a 88% do Produto Interno Bruto em 2029 se o ajuste fiscal não avançar. A avaliação é de que a eleição não altera a visão da agência sobre o perfil de crédito soberano do país, com ampla continuidade das políticas no quarto mandato de Lula.
Segundo a agência, a continuação da atual trajetória da política fiscal, com apenas ajustes graduais, corre o risco de prolongar os grandes déficits nominais do país, os custos de financiamento muito altos e a carga crescente da dívida. Sem um compromisso mais forte com a consolidação fiscal, a capacidade de pagamento persistentemente fraca pesaria sobre o perfil de crédito do Brasil ao longo do tempo.
Para conter o endividamento, a agência recomenda superávits primários entre 2% e 3% do Produto Interno Bruto. A avaliação aponta ainda que Lula terá de trabalhar com um Congresso que se deslocou mais para a direita após as eleições deste ano, o que deve tornar as relações entre o Executivo e o Legislativo ainda mais desafiadoras do que no passado e pode atrasar o ajuste fiscal necessário para estabilizar a dívida.
O principal partido de oposição, o PL, ampliará sua bancada de 16 para 28 cadeiras no Senado, de 81 assentos, e de 98 para 121 na Câmara dos Deputados, de 513 assentos, a partir de 2027. A avaliação ressalta, porém, que um Legislativo mais inclinado à direita não melhora necessariamente as chances de futuras reformas fiscais.




