Na Suécia, vencer por três cadeiras não basta para governar

A Suécia descobriu em setembro que ganhar a eleição e governar são verbos diferentes. O bloco de centro-esquerda venceu por 176 cadeiras a 173 — três cadeiras de diferença num Parlamento de 349, com participação de 84,9% dos eleitores. A líder social-democrata Magdalena Andersson, do partido mais votado, com 28% dos votos e 99 cadeiras, foi a primeira a tentar formar governo. Não conseguiu: perdeu o apoio do Partido da Esquerda, um dos partidos de que precisava para a maioria. O presidente do Parlamento, então, passou a vez para o outro lado: Ulf Kristersson, o primeiro-ministro que acabara de perder a eleição, ganhou a chance de tentar montar o governo. Na Suécia, perder por três cadeiras também dá direito a tentar. Moral nórdica: quando a vitória cabe numa foto de família pequena, o governo nasce de negociação — e às vezes nem nasce de primeira.





