Portugal esperou 40 anos pelo segundo turno e resolveu em dois terços

Portugal levou 40 anos para repetir um segundo turno presidencial — o anterior tinha sido em 1986. Quando finalmente aconteceu, em 8 de fevereiro de 2026, a espera virou passeio: António José Seguro venceu André Ventura por 66,8% a 33,2%. No primeiro turno, em 18 de janeiro, Seguro tinha liderado com 31,11% contra 23,52% de Ventura, num campo recorde de 11 candidatos. Nenhum passou nem perto da maioria, e o país foi obrigado a reaprender uma palavra que não usava desde os anos 1980: desempate. O detalhe mais português da noite foi outro: os votos em branco quase triplicaram entre os dois turnos, de cerca de 61 mil para 177 mil. Parte do eleitorado foi à urna só para dizer que nenhum dos dois nomes era exatamente o que procurava — e ainda assim fez questão de ir. Seguro tomou posse em 9 de março. Moral lusitana: quando a democracia demora 40 anos para pedir o segundo turno, ela cobra o atraso com juros — e entrega dois terços de uma vez.





