Gaeco aponta plano para afastar prefeita de VG e vender o DAE
A investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelou novos detalhes sobre uma suposta articulação política em Várzea Grande.

A investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelou novos detalhes sobre uma suposta articulação política em Várzea Grande. Segundo informações divulgadas pelo Gazeta Digital e reproduzidas pela Folha de Mato Grosso, o depoimento de uma testemunha anônima aponta que o vereador Wanderley Cerqueira (MDB) teria manifestado interesse em assumir a Prefeitura, afastar a prefeita Flávia Moretti (PL) e promover a venda do Departamento de Água e Esgoto (DAE), com a posterior divisão dos valores entre os envolvidos.
De acordo com o relato registrado na investigação, o parlamentar teria declarado: "Eu vou exonerar a prefeita, vender o DAE e nós vamos repartir o dinheiro". A informação consta em relatório ao qual o veículo afirma ter tido acesso.
Wanderley Cerqueira está entre os 15 vereadores de Várzea Grande alvos da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Gaeco na terça-feira (20). A ação apura suspeitas de compra de votos para a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal, além de possíveis crimes de corrupção, obtenção de vantagens indevidas e atuação de organização criminosa.
Conforme o depoimento citado na reportagem, o plano envolveria a tentativa de assumir o comando do Executivo municipal e, em seguida, avançar com a concessão ou privatização do DAE, processo que estaria em andamento há quase dois anos. Segundo a narrativa apresentada no relatório, após a conclusão da concessão operacional do departamento, uma empresa seria anunciada vencedora e repassaria valores à Prefeitura. A testemunha teria apontado uma possível destinação de parte dos recursos ao grupo político do vereador.
A mesma investigação apura ainda suspeitas de pagamento de propina e pressão política sobre parlamentares. Entre os elementos citados está um vídeo vazado em 10 de agosto de 2026, no qual o então presidente do DAE-VG, Rogerinho da Dakar (PSDB), aparece supostamente recebendo dinheiro de outra pessoa. O valor envolvido seria de R$ 10 mil, e o encontro teria ocorrido em um imóvel apontado como a casa da mãe de Wanderley Cerqueira, no bairro Imperador, em Várzea Grande.
A apuração também investiga a suspeita de que cargos comissionados, cartas de renúncia assinadas em branco e gravações clandestinas teriam sido usados para pressionar vereadores, assegurar apoio político e manter o controle da Mesa Diretora da Câmara. Segundo os relatos reunidos no inquérito, as cartas de renúncia teriam sido assinadas entre o fim de 2024 e o início de 2025, durante as articulações para a eleição da presidência da Casa no biênio 2025/2026.
A Operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em endereços de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães, com a participação de mais de 200 policiais, além do Ministério Público de Mato Grosso, da Polícia Militar, da Polícia Civil, da Polícia Penal e do Sistema Socioeducativo.
Além de Wanderley Cerqueira, estão entre os alvos os vereadores Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Madureira (Republicanos), Sargento Galibert (PSB), Miguelzinho (Cidadania), Lucélia Oliveira (AGIR), Kleberson Feitoza (PSB), Raul Curvo (Republicanos), Enfermeiro Emerson (PP), Gisa Barros (Podemos) e Rogerinho Dakar (PSDB), além do suplente Samir Japonês (PL) e da diretora-geral da Câmara Municipal, Lorineide Aparecida Trindade Inhan. Em Cuiabá, os alvos citados são os vereadores Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos.
As suspeitas relatadas ainda dependem da apuração das autoridades, e a inclusão entre os alvos de uma operação não significa condenação ou comprovação de culpa.
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