Justiça Militar torna réus PMs que liberaram Sastre após acidente fatal
A Justiça Militar de São Paulo aceitou a denúncia em 22 de outubro e tornou réus os dois policiais militares que liberaram o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho no local do acidente que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, em 2024, sem teste do bafômetro.

A Justiça Militar de São Paulo aceitou a denúncia em 22 de outubro e tornou réus os dois policiais militares que liberaram o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho no local do acidente que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, em 2024, sem teste do bafômetro. Os agentes passam a responder criminalmente pelo crime de inobservância de lei, regulamento ou instrução, na modalidade de tolerância, previsto no Código Penal Militar.
Segundo a acusação, os policiais que atenderam à ocorrência não seguiram os procedimentos operacionais da corporação: não preservaram o local do acidente, não ofereceram o etilômetro ao motorista do Porsche e não acionaram adequadamente as câmeras corporais portáteis. Para a Promotoria de Justiça Militar, a conduta prejudicou a investigação do homicídio e causou prejuízo à administração militar.
O acidente aconteceu na madrugada de 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, na zona leste de São Paulo. O Porsche dirigido por Sastre atingiu a traseira de um Renault Sandero conduzido por Ornaldo, de 52 anos, que foi socorrido e levado ao Hospital Municipal do Tatuapé, mas não resistiu aos ferimentos. A perícia apontou que o Porsche trafegava a cerca de 156 quilômetros por hora momentos antes da colisão, em um trecho com limite de 50 quilômetros por hora. O passageiro do Porsche, Marcus Vinicius Machado Rocha, fraturou quatro costelas e perdeu o baço.
Sastre deixou o local do acidente acompanhado da mãe, sob a justificativa de procurar atendimento médico, e só se apresentou à polícia 36 horas depois, sem ter realizado o teste do bafômetro no momento da ocorrência. Ele foi condenado em 30 de outubro a 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão pelo júri da 5ª Vara do Júri da capital paulista. Os próximos atos do processo contra os policiais seguirão o rito legal aplicável.





