Corte no Starlink militar azeda relação entre Trump e Zelensky; Kiev pede mais 70 bilhões de euros à UE
Limite de velocidade derrubou drones interceptadores ucranianos; Casa Branca é apontada, e Trump nega

INTERNACIONAL · GUERRA NA UCRÂNIA
Uma regra técnica virou crise diplomática. Desde a noite de terça-feira (13), o Starshield, braço militar da rede de satélites da SpaceX usado pelas tropas ucranianas, passou a desconectar aparelhos que voam a mais de 160 km/h. O limite atingiu em cheio os drones que Kiev usa para abater drones russos, segundo a BBC.
Volodymyr Zelensky classificou a mudança como uma “surpresa muito perigosa e desagradável”, de acordo com o The Guardian. Em Bruxelas, na sexta-feira (16), o presidente ucraniano disse que a situação melhorava, mas sem volta completa aos parâmetros anteriores.
De onde veio a ordem
A BBC e o Guardian reproduziram apuração da agência Reuters segundo a qual a decisão partiu da Casa Branca, com base em fontes oficiais que não identificaram o autor. Donald Trump negou e isentou Elon Musk. O empresário, por sua vez, insinuou que o próprio governo americano, que controla o Starshield, estaria por trás. A BBC informou que senadores dos dois partidos pediram explicações.
O episódio ocorre num momento de atrito. Kiev voltou a atacar refinarias na Rússia, e Trump reagiu chamando a ofensiva de vergonha, numa entrevista ao canal Newsmax. A queixa do americano é o efeito sobre o preço internacional do petróleo. A Ucrânia diz que pararia se Moscou fizesse o mesmo, relatou a BBC.
A conta europeia
Diante dos líderes da União Europeia, Zelensky estimou em 155 bilhões de euros o custo da guerra em 2027 e pediu ao menos 70 bilhões adicionais ao bloco. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, admitiu existir um buraco desse tamanho, embora espere dividi-lo com outros parceiros, segundo o Guardian. O francês Emmanuel Macron garantiu que os europeus não vão abandonar Kiev, conforme a BBC.
O pedido ressuscita a discussão sobre cerca de 210 bilhões de euros em ativos russos congelados na Europa, cujo uso enfrenta resistência da Bélgica, lembrou o Guardian. No mesmo dia, bombardeios russos mataram ao menos oito pessoas e deixaram mais de 1 milhão temporariamente sem luz, segundo autoridades ucranianas citadas pelo jornal.
Leia também: Internacional · Mísseis houthis atingem palácio de governo em Áden; Riad contabiliza 20 ataques a aeroporto · Ormuz: AIE apressa estoques de emergência e ONU teme quebra de safra por falta de adubo
Fonte: The Guardian · BBC







